Finanças Pessoais E Profissionais Não Se Misturam!

Deborah tinha 13 anos no momento em que ouviu na primeira vez a respeito da Sala São Paulo. Ela estudava violino em Brasília. E, pela universidade de música, chegavam os “contos heroicos” sobre um teatro novo para concertos, com um “teto que se mexia”, com placas móveis que mudavam a acústica dependendo da peça a ser apresentada.

“Era uma coisa que colocava pra funcionar a minha imaginação ainda infantil”, ela lembra. Surgia, então, uma vontade – um dia tocar pela sala e inserir a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Parece maneira de apresentar. Mas não é. “Virou um sonho, uma meta mesmo. Eu estudava 6 horas por dia, pensando nisto.

Ela mudou-se para São Paulo. “Aluguei um colchonete na sala de um apartamento. Não tinha quase dinheiro. Mas não aceitava vagas em outras orquestras, passava todo meu tempo estudando, 10 horas por dia, pra fazer a prova pra Osesp.” Nesse meio tempo, tocou pela primeira vez na sala com uma orquestra jovem. Na primeira prova para entrar na Osesp, Deborah não passou.

Na segunda, um tanto depois, conseguiu vaga para um ano de serviço. “Eu olhava para a sala durante a prova e era como se os pilares fossem bem como meus pilares de força”, ela conta. Deborah Wanderley dos Santos é musicista titular da Osesp desde 2015. Seu relato é profundamente pessoal. Os frutos da formação da sala são reconhecíveis. A construção de uma sala no velho jardim de uma estação de trem parecia uma ideia improvável.

O maestro John Neschling havia assumido a Osesp em 1997 com uma circunstância: uma nova sede para a orquestra, que nos últimos anos se apresentava em cinemas e palcos improvisados. 30 milhões, Neschling – que, radicado pela Suíça, não respondeu a pedido de entrevistas – e o então secretário de Cultura Marcos Mendonça foram convencer o governador Mário Covas que, insuficiente depois, daria sinal verde para o projeto. A violoncelista Adriana Holtz, ainda hoje pela Osesp, chegou à orquestra nessa mesma época. “Era o início da reestruturação e o procedimento todo era muito intenso”, ela lembra.

“A gente tocava no Memorial da América Latina, depois no Teatro São Pedro. Segundo ela, mesmo quando todos agora soubessem que a sala estava sendo formada, “só nos demos mesmo conta daquilo no momento em que entramos e começamos a ensaiar o concerto de inauguração”. “Foi um procedimento violento, tolo mesmo. Tinha um êxtase muito amplo, mas, ao mesmo tempo, uma inquietação de fazer o mais recomendado concerto possível.

  • 28/05/2019 10:Cinquenta e cinco 0 Comentários Por Lorraine Vilela Campos
  • Foque em melhorar a experiência dos usuários
  • Lixão Da Estrutural: GDF Tem Uma Semana Para Realocar um,1000 Catadores Em Galpões
  • 3 xícaras de água mineral
  • O seu superior aliado
  • Aluguel de vestidos

O Neschling nos queria totalmente preparados. Estávamos todos na ponta da cadeira. Na plateia, com a partitura pela mão, acompanhando o ensaio, estava o maestro Hilo Carriel, de vinte e oito anos. Natural de Manaus, esteve pela sala na primeira vez em 2013, em uma viagem com sua mãe. “O choque visual foi marcante. Eu lembro de continuar deslumbrado com o tamanho da sala e os detalhes da arquitetura.

Eu nunca tinha visto nada semelhante pessoalmente”, ele conta, lembrando a importancia que o prédio teria mais tarde na sua geração. “A sala pra mim teve dois papéis: autoafirmação e ampliação de promessas. Em 2014, depois de participar do Festival de Campos, fui convidado pra reger a Osesp pela sala.